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4 outubro 2015
Categoria Notícias
4 outubro 2015,
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Com a proximidade do Dia Mundial do Coração, Centro oferece informações relevantes para prevenção de problemas cardíacos associados ao consumo excessivo de álcool

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool – CISA, organização não governamental que se destaca como uma das principais fontes no país em relação ao binômio Saúde e Álcool, apresenta dados sobre os efeitos do consumo de bebidas alcoólicas para o coração devido à proximidade do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro.

As doenças cardiovasculares (DCVs) são responsáveis por cerca de 17 milhões de mortes por ano, um terço do total de mortes no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, essas doenças respondem por quase 30% das mortes por ano – o que nos coloca entre os 10 países com maior índice de óbitos por DCVs.

Entre os principais fatores de risco para essas doenças destacam-se o tabagismo, diabetes, hipertensão arterial, anormalidades nos níveis de colesterol e obesidade. Já em relação ao consumo de álcool, pesquisas científicas mostram que essa substância pode trazer tanto malefícios como benefícios para o sistema cardiovascular, dependendo do padrão de consumo (frequência e quantidade ingerida).

Estudos científicos realizados nos últimos 30 anos indicaram que o uso moderado de álcool reduz a incidência de doenças coronarianas, em especial de enfartes do miocárdio. No entanto, esses resultados levaram a uma série de investigações para descobrir se o álcool era de fato o elemento responsável pela prevenção de problemas cardíacos ou se a baixa incidência de problemas cardíacos estava relacionada ao estilo de vida do indivíduo, em especial ao seu tipo de alimentação e ao fato de ele praticar exercícios físicos.

Ao longo desses anos, diversas pesquisas mostraram que o consumo de 1 a 4 doses* diárias de álcool pode reduzir significativamente o risco de doenças coronarianas, enquanto o consumo de 5 ou mais doses diárias pode aumentar seus riscos. Uma revisão da literatura científica sobre o tema concluiu que o consumo de até aproximadamente 30 g/dia (aproximadamente duas doses diárias de álcool) pode agir das seguintes formas no organismo:

· Aumenta em até 4,0 mg/dL (miligramas por decilitro) o nível do colesterol ligado a proteínas de alta densidade (HDL), chamado de “bom colesterol”. O HDL é responsável pela remoção do colesterol ligado a lipoproteínas de baixa densidade (LDL), o que previne a ocorrência de aterosclerose – acúmulo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias;

· Diminui em até 7,5 mg/dL os níveis de fibrinogênio, que está associado ao processo de coagulação e formação de trombos e reduz o risco de problemas coronarianos em até 12,5%;

· Aumenta os níveis de triglicérides em até 5,7%, o que pode ser traduzido em um risco de até 4,6% maior de complicações coronarianas. No entanto, quando esse índice é considerado conjuntamente com o aumento do nível do colesterol HDL e a diminuição dos níveis de fibrinogênio, há ainda 27,5% de redução no risco de o indivíduo desenvolver doença coronariana.

Já em relação aos efeitos maléficos do álcool, alguns estudos concluíram que altas doses de álcool (5 ou mais doses/dia) podem levar ao comprometimento do ventrículo esquerdo do coração e, consequentemente, à cardiomiopatia dilatada. Apesar de a cardiomiopatia ter diversas causas, inclusive um componente genético, ela está associada a mais de 30% dos casos de alcoolismo, ocorrendo tipicamente em homens entre 30 e 55 anos que consomem mais de 5 doses diárias de álcool por mais de 10 anos.

Por fim, vale ressaltar que especialistas não indicam o consumo de álcool na prevenção primária, apenas permitem o paciente que já tem esse hábito, em situações pontuais, manter o seu consumo, devido aos outros riscos envolvidos. Além disso, é importante lembrar-se da contraindicação do uso de álcool por menores de idade, e que a OMS recomenda que o consumo de bebidas alcoólicas não deve ser feito se a pessoa estiver grávida ou amamentando; for dirigir, operar máquinas ou realizar outras atividades que envolvam riscos; apresentar problemas de saúde que podem ser agravados pelo álcool; fizer uso de medicamento que interage diretamente com o álcool; e não conseguir controlar o seu consumo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece que uma unidade de bebida ou dose padrão contém aproximadamente de 10 g a 12 g de álcool puro, o equivalente a uma lata de cerveja (330 ml) ou uma dose de destilados (30 ml) ou ainda a uma taça de vinho (100 ml).

 

Fonte: Segs / CIsa

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